Ficha Técnica
Título do projeto: Kiki – uma ponte entre mundos
Produtora: Enseada Filmes
Formato: Ficção
Gênero: Coming of age teen | Realismo Fantástico
Duração: 90 min
Suporte: Digital. 4k|Cor| 5.1
Distribuidora: Olhar Filmes
Logline
Kiki, 17, vive em uma comunidade indígena, mas está em crise com sua cultura ancestral, e apesar de ter nascido para substituir sua mãe como curandeira da comunidade, ela quer prestar o vestibular para ir estudar e viver na cidade grande, longe dali. O problema é que, para conseguir financiar esse sonho, Kiki começa a vender a eternidade das pessoas do local e agora terá que ir ao mundo dos mortos e falar com seus espíritos, pra reverter essa maldição.
Tema
O filme atravessa temas típicos dessa jornada coming of age, como os paradoxos entre pertencimento vs deslocamento, o mundo do estudo vs o mundo do trabalho, e a ancestralidade vs a modernidade. Tudo através do olhar de Kiki, uma adolescente que está em busca de afirmar a sua identidade, ao mesmo tempo em que tem que lidar com o luto da perda do pai, deixando queimar sua última foto que ela guarda escondida desde pequena – outro drama universal que atravessa a sua jornada. Além disso, o filme discute o próprio cinema e os diversos significados da imagem audiovisual. Mas também a própria ideia de representação, usando uma metáfora mágica pra falar sobre apropriação cultural.
Motivação
De um lado, KIKI tem uma trama e um tema absolutamente universal, um drama de amadurecimento juvenil, que fala com qualquer pessoa sobre os desafios de construir e afirmar a sua própria identidade, seu propósito e seu lugar no mundo, uma jornada que é atravessada pelas nossas referências, pelos nossos desejos, medos, pulsões, traumas e nossas vontades – de pertencer ou não – mas muitas vezes também é atravessada por uma ancestralidade, que aqui é originária, mas que poderia ser Arabe, Niponica, Latina ou de qualquer outra cultura, no sentido que o nome e o traço que atravessa o rosto da nossa personagem e que ela tenta esconder debaixo de uma maquiagem ou de um filtro de gatinho, poderia ser um hijab, um kipá, um kimono, uma reza ou o próprio idioma. E aqui, tudo isso é recortado por um olhar crítico, que anuncia os desafios de ser um jovem que está a ponto de terminar o segundo grau e olha o horizonte com incerteza, mas que sabe que para as minorias e para a classe trabalhadora de maneira geral, este é um percurso atravessado por muita escassez, sonhos frustrados, e uma série de outras dificuldades.
Do outro lado, o filme propõe abraçar esse drama universal com muita inventividade, atravessando o próprio cinema e a imagem audiovisual com uma certa metalinguagem, desde um diálogo bastante instigante de gêneros, assumindo uma metáfora mágica e a própria fantasia, pra falar sobre temas reais e universais, mas de uma forma autoral, criativa e ao mesmo tempo orgânica, no sentido que a nossa vida, na América Latina originária, é cheia de crenças, fés e rituais.
Soma-se a essa prerrogativa mágica e crítica, a junção entre um time experiente, que já fez diversos filmes de ficção, junto com um time indígena, capaz de trazer para o filme um frescor e um olhar decolonial e inovador, num encontro de troca e transferência de tecnologia. Tudo isso com uma produção cuidadosa, que já levou o projeto a diversos laboratórios, residências e mercados importantes.
Por último e não menos importante, este filme nos daria a chance de reinventar um imaginário e uma identidade mais diversa para o nosso Estado, dando voz a quem pouco teve, garantindo a inclusão em diversos aspectos, sendo um agente cultural, social e econômico numa região bastante carente de incentivo, e sobretudo, fazendo um cinema novo, inventivo, crítico e urgente.Isso é o que nos faz acreditar que o filme pode percorrer um caminho de muito prestígio, levando o nosso cinema, feito no interior, a um lugar de reconhecimento nacional e internacional. Mas sobretudo, levando para o espectador de toda a família, uma experiência estética nova, que toca e afeta.
Proposta estética
Drama e Universo
Por um lado, construímos o filme sobre o drama desta personagem em luto e seu aprendizado para encontrar formas e rituais de lidar melhor com ele. Mas também sobre este drama de transição para a idade adulta, de uma adolescente que busca sua auto afirmação e se confronta com esse deslocamento, que todos nós já sentimos alguma vez.
Por outro lado, tentamos construir um microuniverso que tem seu próprio tempo e suas próprias regras, habitado por personagens reais e fantásticos, e por um povo nativo que não conhecemos, um povo distópico, com seus próprios rituais e crenças, uma pequena Macondo. Portanto, este é o grande desafio desta dramaturgia: encontrar um equilíbrio entre a realidade e a fantasia, de maneira que uma afete a outra para que possam caminhar juntas, desde o começo até o final do filme.
Locações
O filme será gravado basicamente em locações reais, seja na periferia urbana de Chapecó ou na Aldeia Kaingang e Guarani em quem a história também é inspirada, incluindo aqui a escola indigena Fennó, fruto da luta nesse território.
A distopia do mundo dos mortos será construída no mesmo lugar, usando o conceito de vazio e abandono para retratá-lo, com adição de pinturas neon e trazendo o contraste do fogo.
E a cena final do rio deve ser filmada perto de algumas das barragens da região.
Distribuidora
OLHAR FILMES
Fundada em 2017, a Olhar já distribuiu diversos filmes nacionais internacionais, entre eles títulos como “A Gente”, qeue estreou no DOK Leipzig, “Ferrugem”, que estreou em Sundance, “Alice Júnior”, que estreou na mostra Generation da Berlinale, “Deserto Particular” (Private Desert), que estreou na Giornate degli Autori, e “Yellow Cake”, que acaba de estrear em Roterdã.
ProduCtora
ENSEADA FILMES
Especializada no desenvolvimento de projetos audiovisuais, a Enseada produziu e coproduziu curtas e longa-metragens que passaram por importantes laboratórios e festivais de cinema, como a Mostra de Cinema de Tiradentes, o Festival de Brasília, o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, o Festival de Morelia no México, o Programa Ibermedia, a Fundação Carolina, o DocSP e o Festival Internacional de Cinema de Huesca na Espanha.